A guerra da Ucrânia – Capítulo 1: A guerra como sempre foi

A guerra da Ucrânia – Capítulo 1: A guerra como sempre foi

Para entender a guerra da Ucrânia, precisamos entender primeiro porque as guerras acontecem.

A guerra sempre ocorreu por quatro motivos básicos: sobrevivência, ganância, ideologia e vaidade.

Sobrevivência: um povo com escassez de recursos naturais, afligido pela fome e doenças, vê outro povo em terra fértil, farta, e diz “desculpe, pessoal, mas a sua agora é nossa”. Foi o que levou os Vikings à Inglaterra. Mesmo em tempos pós-revolução industrial, quando a produção de alimentos já era suficiente para o planeta (há décadas o problema é de distribuição) , este foi um dos motivos apresentados. Hitler invadiu a União Soviética sob a escusa de que o povo alemão precisava do seu Lebensraum – espaço vital – para produzir alimentos para os membros da raça superior, a raça ariana. Stalin matou de fome mais de um milhão de ucranianos, mandando seu exército recolher toda – literalmente toda – a produção de alimentos da área mais fértil da Europa.

Ganância: não estou com fome, mas você tem algo que eu quero. Então eu preparo meu exército e tomo o que quero à custa da dor de muitos outros, de ambos os lados. Este foi o motivador da grande maioria dos conflitos armados da humanidade. A segunda guerra do golfo, a invasão americana no Iraque para capturar armas químicas fictícias, talvez o maior assalto a mão armada da história, gerou lucros inacreditáveis para seis grandes companhias petrolíferas do ocidente, inclusive a que tinha George Bush como sócio, premiado com 2 bilhões de dólares pela vitória na forma de distribuição de lucros. Quem pagou pela empreitada? O tesouro público americano e as famílias dos mortos. (Deixemos a piora da já trágica realidade iraquiana para depois.) Mas por que milhares de homens pobres se dispõem a sofrer e morrer para que um sujeito rico fique ainda mais rico?

Ideologia: apregoada por sincera crença, ou apenas para convencer milhares a morrer, para que Gengis Khan, Carlos Magno, Bush, Yasser Arafat ou Putin fiquem ainda mais ricos. (A segunda opção é, historicamente, a mais frequente.) As cruzadas, as invasões nazistas, a anexação dos países vizinhos da Rússia à União Soviética, o terrorismo islâmico na África e no Oriente Médio, só aconteceram porque milhares de homens se convenceram de que era “a coisa certa a fazer”. Claro, bem apoiado pela coação. Você luta por mim ou… (ameaças de todos os graus e matizes).

Vaidade: você se opôs a mim, diante de todos os nobres; ou publicou em todos os jornais; ou está bombando na internet. Não importa de qual século ou década falamos, a questão é a mesma: homens poderosos não aceitam desaforo. A honra desses homens precisa ser lavada com sangue. Dos outros, é claro. 

Normalmente, ganância, ideologia e vaidade se misturam e se alternam na motivação das guerras. Um líder poderoso precisa manter seus aliados e patrocinadores diretos lucrando, ou perderá apoio. Se a guerra comercial não for bem sucedida, vamos às armas. Mas a imagem desse homem – alguém poderoso que deve ser temido e admirado – é necessária para controle da população e dos recursos de seu país, então ele precisa vencer e manter sua imagem, mesmo que a guerra já tenha fracassado como empreendimento para obter lucro. Os custos de uma guerra são imensos – gastos com material bélico, perda da produção dos homens enviados à linha de frente, destruição de infraestrutura, dos meios de produção, paralisação do comércio. Mas o rei não leva desaforo para casa, a briga não pode terminar antes que o ofensor seja publicamente esmagado. Então ele continua a dizer aos seus homens que a pátria, a liberdade e a justiça precisam deles. E continua dizendo aos seus apoiadores ”calma, vocês ainda vão lucrar muito com tudo isso”.

Se você pensou em Vlad Drakula, também conhecido como Vlad, o empalador, rei da Valáquia, você não está errado.  Mas se você pensou em outro Vlad, entendeu o que eu quero dizer.

Imagem de Freepik


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