A Guerra da Ucrânia – Capítulo 5 – Às armas!

A Guerra da Ucrânia – Capítulo 5 – Às armas!

Putin e Zelensky se assentaram em uma mesa do bar Eurásia para jogar Poker.

Putin fechou a cara ao ver que o novo adversário teve a ousadia de manter as cartas viradas para si. Todos os anteriores seguravam seu leque de cartas com as figuras viradas para os olhos do russo. Zelensky olhava temeroso para as mãos de Putin, que seguravam quase o baralho inteiro. Sua meia dúzia de cartas não iria durar muito. Lentamente, Putin baixa a sua primeira carta, que dizia:

“Vou estrangular os negócios dos seus oligarcas. Eles vão se virar contra você e derrubá-lo.”

Zelensky sorriu com o canto boca e baixou a sua. Nela, estava escrito:

“ Tirei os fantoches deles do parlamento. Agora eles têm que se unir a mim se quiserem manter seus privilégios.”
Putin se surpreendeu um pouco com o movimento rápido do adversário, mas não se abalou. O deboche tomou o seu rosto ao baixar sua próxima carta.

“Você já olhou a sua fronteira leste?”

As palavras vinham por cima de uma imagem de satélite, coalhada de pessoal e equipamento russo encostados nas fronteiras das províncias separatistas. Zelensky arregalou os olhos. Queria guardar sua carta mais valiosa para mais tarde, mas não tinha opção. Baixou-a.

“OTAN”

Zelensky esperava que Putin desse um pulo da cadeira, o que não aconteceu. Putin rosnou entredentes, mas não se mexeu. OK, todo mundo sabia que Putin odiava Otan, o gigantesco segurança do bar. Um musculoso texano arrogante que tentava parecer europeu. Putin largou suas cartas e tirou de trás da cadeira um enorme badiche – a versão russa do machado de guerra medieval. Jogou-o ruidosamente sobre a mesa. Zelensky, apavorado, largou as cartas e digitou no seu celular os números escritos no pé da carta “OTAN”.

– O que foi?

Otan atendeu mal-humorado. Tinha passado a noite com duas tentações, uma sueca e uma polaca, regadas a vinho francês. Apesar da dor de cabeça, estava seriamente concentrado no seu videogame e não gostou da interrupção.

– Otan, você não devia estar aqui no bar?

– Não preciso, moro ao lado.

– Pode dar um pulinho aqui?

– Não posso, estou treinando.

– No stand de tiro?

– Não, no Atari. Estou jogando River Raid. Preciso estar pronto para salvar o bar, quando for preciso. Qual é o problema?
Zelensky virou a câmera do seu celular bem a tempo de Otan ver Putin erguendo o badiche com as duas mãos e rachando a mesa ao meio.

– P. Q. P. !!!

Olhos arregalados, Otan pulou da cama, aos tropeções, jogando a polaca no chão. Não dava tempo de se vestir. Enfiou a mão na caixa de ferramentas que ficava debaixo da cama, achou o velho revólver calibre 22 que usava orgulhosamente na cintura quando estava trabalhando no bar. As balas. Cadê as balas, minha Santa Genoveva? Abriu em rápida sequência as três gavetas do criado mudo, mas não viu nem sombra delas. Não dava tempo de procurar. Enfiou os pés nas pantufas de pele de coelho e saiu correndo pela porta da frente. Em três segundos estava na porta do bar, arrastando o criado mudo. A polaca e a sueca vieram atrás, com seus baby-dolls esvoaçantes mostrando mais do que deveriam.

Putin olhou bem para a figura à sua frente. Um gigante careca e barrigudo, claramente fora de forma, de cuecas e pantufas, procurando freneticamente alguma coisa nas gavetas de um pequeno móvel.

– Vou contar até três para você largar esse machado esquisito, Putin.

A ameaça não era vazia, porque Otan, agachado sobre as gavetas que arrancara do móvel, cofrinho aparecendo por fora da cueca incompatível com o seu peso atual, acabara de achar as balas do Smith Wesson 22. Começou a carregar a arma, enquanto as balas teimavam em escorregar por entre seus dedos. Zelensky não tinha mais como ganhar tempo.

– Otan, não quero parecer ingrato, mas… vai demorar?

Otan correu os olhos pelo mar de pequenos objetos caídos das gavetas e achou o que precisava. Zelensky poderia fazer alguma coisa enquanto ele municiava o revolver.

– Tome. Você já está grandinho, já é hora de você aprender a se defender sozinho. Se a coisa engrossar, eu estou aqui para resolver.
Zelensky pegou o objeto que Otan lhe oferecia. Um reluzente cortador de unha, com suas afiadas lâminas curvas rebrilhando à luz de neon do bar. Quase disse a Otan aonde ele deveria guardar aquele cortador de unha, mas não teve forças para tanto. A polaca percebeu a angústia de Zelensky e deu um passo à frente. Putin riu.

– Ei, polaca, depois que eu resolver isso aqui, nós dois vamos nos divertir, não vamos?

Otan ficou furioso pela ofensa/ameaça à sua garota, mas estava ocupado demais tentando fechar o tambor emperrado do 22. Lentamente, como se
desembainhasse um perigoso sabre samurai, a polaca tirou dos cabelos um grampo e dobrou uma ponta.

– Enfia isso bem no olho desse desgraçado, Zelensky

A cena deu coragem à sueca, que desistiu de tentar tampar suas partes pudendas com tão pouco tecido e entregou a Zelensky um dos seus chinelos.

– Na Suécia, é assim que a gente lida com baratas!

Ótima ofensa, péssima arma. Putin se cansou do blábláblá e desferiu outro golpe, desta vez despedaçando a cadeira onde Zelensky estivera assentado. Otan, o temido segurança do bar, finalmente reagiu dando dois passos atrás, empunhando a arma.

– Eu vou atirar! Eu vou atirar!

Putin continuou atrás de Zelensky, desferindo golpes, agora fazendo um enorme buraco no balcão de bebidas. Otan, já no meio da rua, continuava andando de ré, gritando “eu vou atirar”. Foi quando Zelensky tropeçou em um desodorante Avanço que estava no meio dos bagulhos que Otan espalhara pelo chão. Bem a tempo: uma esguichada daquela mistura 50% álcool e 50% perfume barato, bem nos olhos do russo, o deixaram temporariamente cego. Praguejando, segurando o badiche com a mão esquerda, esfregando com a direita os olhos que ardiam terrivelmente, Putin deu o tempo que Zelensky precisava para juntar as garrafas das prateleiras do bar e começar a jogá-las contra o seu ofensor. Coberto de cacos, sangue descendo de vários pequenos cortes, Putin se recompôs e empunhou de novo o badiche, bem na hora em que Otan tomou coragem de se aproximar.

– Já disse que vou atirar, Putin.

– OK, você vai me fazer uns buracos de calibre 22, que não matam instantaneamente, matam por hemorragia, o que vai me dar uns 30 segundos de prazo para fatiar seu amigo ucraniano antes de morrer. Com certeza, vão sobrar uns segundinhos para você. O que será que eu vou conseguir decepar antes de apagar? Um braço? A cabeça?

Otan engoliu seco e resolveu ser mais convincente.

– Você já perdeu, Putin. Estamos em maior número.

Apontou para um velhinho oriental sentado no canto, com uma bandana do sol nascente na testa e cara de Sr. Myiagi.

– E tenho um canguru que luta boxe! Está vindo pelo Sedex, vai chegar a qualquer momento!

Putin não se abalou.

– Empatamos. Eu também tenho amigos. Está vendo os dois orientais ali atrás?

Otan mediu com os olhos o sujeito com roupa de Kung Fu, que comia calmamente seu frango xadrez, só esperando a briga esquentar para ter uma chance de limpar o caixa do bar. O outro oriental, um gorducho de uniforme esquisito, estava se preparando para arrancar a TV Samsung 72 polegadas da parede, tão logo Otan se distraísse o suficiente. Certamente iria despedaçar a TV na tentativa, mas e daí? Talvez até levasse o Hyundai que ficava na garagem do bar, mesmo sem saber dirigir.

Silêncio. Impasse. Foi quando o oriental gorducho se aproximou de Putin e cochichou no seu ouvido uma proposta meio suicida:

– Se eu tomar o revólver do Otan, você me ajuda a levar a TV?

Cenas do próximo capítulo!

Imagem de vecstock no Freepik


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