Ainda precisam de mais sinais?

Ainda precisam de mais sinais?

E, com seu cajado, Moisés fez abrir o Mar Vermelho, e o seu povo passou, a pé enxuto, fugindo dos egípcios, que foram engolidos pelas águas do mar logo a seguir. Dentre tantos outros sinais, ele também feriu a rocha, para que dela brotasse água em abundância, em um terreno desértico, para dar de beber a esse mesmo povo que acabara de se livrar da escravidão e da opressão… Foram incontáveis sinais. A história nos mostra que Deus sempre se aproximou, por meio de sinais bem palpáveis, do seu povo, conduzindo-o ao longo da sua existência.

Certo dia, falava com um amigo justamente sobre esses sinais que são narrados nas escrituras, mas, na sua visão, tudo isso seria linguagem figurada. Ele se mostrava incrédulo que tudo isso poderia, de fato, ter ocorrido. A salvação das espécies na arca quando do grande dilúvio seria nada além de uma bela estória, e a multiplicação de sete pães, que alimentaram milhares de pessoas, sobrando ainda sete cestos de pães, nada mais seria que uma licença poética para narrar uma simples partilha de pedaços de pão.

Contudo, com um mínimo de bom senso, é absolutamente óbvio que sete pães não poderiam se transformar em sete cestos de pães, após ter alimentado milhares de pessoas, a não ser por meio de uma ação divina, de um milagre, de um grande sinal…

A espiritualidade, como um braço da metafísica, é um campo em que só se chega a uma explicação de algo, pela fé no humanamente impossível. Não há como convencer alguém do aspecto miraculoso de algo, senão vendo, e experimentando. Em verdade, todos temos uma semente de fé. Isso é possível constatar ao ver pessoas aguardando por milagres ao descobrirem uma doença incurável, ou orando aos gritos quando um avião apresenta problemas, ainda que não tenham vivido espiritualidade alguma anteriormente. Como diz o dito popular, “não há ateus numa aeronave caindo”.

O desejo de escrever esse texto teve início em janeiro de 2023, quando vi, pessoalmente, o corpo incorrupto de Santa Catarina de Labouré, falecida em 1876. Ele está exposto, para toda e qualquer pessoa poder ver, numa pequena capela, em Paris. Não existem explicações humanas que possam justificar isso. E vi, com meus próprios olhos…

Também vi, com meus próprios olhos, em janeiro desse ano de 2024, o coração incorrupto de Santa Teresa de Ávila, exposto numa pequena igreja em Alba de Tormes, vilarejo próximo a Salamanca, na Espanha. Tendo morrido em 1582, não poderíamos esperar nada, além de pó, do seu corpo, mas seu coração encontra-se incorrupto, sem ter experimentado a decomposição. Não há explicação para isso também, e essa nova oportunidade aguçou, ainda mais, a minha humana constatação de que estamos cercados de sinais milagrosos, mas muitas vezes não conseguimos perceber isso. Ou não queremos admitir…

Existem, ainda, muitos outros casos similares, como o de Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis, morta em 1457, cujo corpo está incorrupto e exposto na Basílica de Santa Rita em Cascia, na Itália. O corpo do “Santo Cura D’Ars”, São João Maria Vianney, falecido em 1859, também incorrupto, pode ser visitado no Santuário de Ars, na França, bem como o de São Padre Pio, famoso pelos estigmas de Cristo que o acompanharam quando em vida, falecido em 1968, cujo corpo incorrupto também pode ser visitado na Igreja de Santa Maria das Graças, localizada em San Giovanni Rotondo, na Itália.

E um sem fim de situações espetaculares, como as citadas, encontram-se espalhadas pelo mundo afora…

Sim, sinais. Eles estão ao nosso redor. Jesus, certa vez, quando estava sendo testado pelos mestres da lei, que lhe pediam um sinal, respondeu a eles que “nenhum sinal lhes seria dado, exceto o sinal do profeta Jonas”, por os considerar perversos (Mateus 12, 38-42). Entretanto, movido por carinho e compaixão, nos permite assistir a sinais que não foram dados a muitos… Eles estão aí, só não vê quem não quer.

Por Alessandro Teixeira
Advogado inscrito na OAB/MG


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