“Dizem que…”

“Dizem que…”

(Conversas de bar sobre o ataque iraniano e a resposta israelense)

Ninguém confirma nada. Israel não diz nada – nem que atacou, nem que não atacou, o que é a mesma coisa que dizer que atacou, mas evita um monte de aborrecimentos internacionais.

Um ataque israelense barulhento e destruidor, com imagens de vítimas civis e casas em chamas seria amplamente explorado e inflado pela mídia contratada pelos ricos muçulmanos. Poderia abalar relações diplomáticas e comerciais entre Israel e países árabes aliados como o Egito, Qatar e Jordânia, construídas com dificuldade ao longo das duas últimas décadas.

Por outro lado, Israel não poderia “deixar barato”. Se a ação terrorista não custar absurdamente caro para o terrorista, ele vai repetir o ato. Outros terroristas menores tomarão coragem para tentar também.

O governo americano não quer arranhar sua imagem, faltando pouco tempo para as eleições presidenciais. Sabendo que os israelenses vão retaliar de alguma forma, os americanos impõem um limite: apoiaremos UM ataque. Escolham – a cidade de Rafah, último reduto do Hamas ou o Iran. Obviamente, Israel precisa atacar os dois, mas, para a imprensa mundial, especialmente a americana, só pode haver um. Negócio fechado, Tio Sam, escolhemos Rafah. Vamos deixar O Iran para outro dia.

Negócio fechado, negócio cumprido ao pé da letra: no outro dia, como prometido, dia seguinte à reunião com os americanos, algo estranho acontece no Iran.

Sete cidades no Iran relatam explosões no meio da noite. Cinco delas com grande concentração de militares iranianos. No entanto, não houve registro, em nenhum sistema de vigilância aérea  vizinha da Jordânia ou do Iraque, sinais de decolagem dos caças F14 iranianos, o que significa que não houve alarme. O ataque israelense ocorreu totalmente indetectado.

Não houve mortes, nem de civis, nem de militares. O Iran não perderia a oportunidade de reclamar as vidas perdidas. Mas explosões foram vistas, ouvidas e gravadas pelos celulares. O governo iraniano agiu rápido para impedir que tais vídeos se espalhassem pelas redes sociais, mas não teve sucesso total.

Dizem por aí que os drones e caças F35 israelenses destruíram somente os radares e mísseis antiaéreos dos locais atacados. O que faz sentido, visto que o Iran reduziu drasticamente os vôos civis no dia seguinte, provavelmente por falta de controle do seu espaço aéreo.

Também é notável que os vídeos com o maior número de explosões foram aqueles gravados na cidade de Isfahan. Exatamente onde há uma instalação do projeto nuclear iraniano, uma base aérea, onde ficam os F14, e uma fábrica de foguetes. Dizem que, na fábrica de foguetes, foi atingido o setor de montagem eletrônica e montagem de motores. O estoque de combustível dos foguetes, que teria causado uma imensa explosão, não foi atingido.

Analistas das TVs árabes dizem que a falta de reação das defesas iranianas denota que o ataque não foi nada significativo. Apenas algumas vidraças quebradas, segundo o governo do Iran. Afinal, caças F35 israelenses, mesmo com a sua imensa capacidade de confundir radares, não conseguiriam evitar 100% das defesas antiaéreas russas instaladas no Iran. Para haver zero reação, os radares iranianos deveriam estar desligados, todos. Por coincidência, no dia seguinte, o vôo era impossível nos céus do Iran. Teheran ficou sem luz e sem rede de computadores o dia todo. Celulares não funcionaram nas maiores cidades do país, por horas. Coincidência. Essas coisas acontecem nos melhores países.

Mas imaginemos que algo assim realmente tenha acontecido. O governo iraniano, que há 40 anos promete riscar Israel do mapa, não poderia admitir que as suas defesas aéreas foram destruídas pelo seu maior inimigo, com zero perdas do lado judeu. Pior que o 7×1, um belo 8×0. O Aiatollah não poderia admitir que seu país está completamente aberto e indefeso a ataques aéreos, até que os russos reponham os radares e mísseis antiaéreos destruídos. Pelo menos, é o que dizem. Mas o governo Iraniano afirma que foram apenas meia dúzia de drones baratos que foram prontamente interceptados.

E os vidros quebrados?

Em 1973, no final da guerra do Yom Kipur, Moshe Dayan resolveu mandar uma mensagem para o ditador da Síria, Al -Assad, pai do atual ditador, Bashar Al-Assad. Caças Phantom israelenses mergulharam sobre Damasco, simultaneamente, em diferentes pontos da cidade. Passando em vôo rasante sobre as casas, aceleraram subitamente, quebrando a barreira do som. O estrondo sônico quebrou todas as vidraças das casas em redor. Eram, precisamente, as residências dos principais generais sírios. Só a casa de campo de Al-Assad foi bombardeada. O ditador acordou com o estrondo de uma bomba de exercício, oca, de 30kg de peso, atravessando as paredes da casa e rolando pelo quintal. Um ótimo recado, de que todos eles estariam mortos se Israel quisesse, que deveriam se comportar. (Não morreram porque o espaço vago que deixariam seria ocupado por religiosos radicais, ainda piores que Al-Assad.)

Teria acontecido algo semelhante em Teheran? Não se sabe.

Mas os americanos ficaram desconfiados. Dizem que Lloyd Austin, o secretário de defesa americano, ligou para Netanyahu de madrugada, perguntando se os israelenses teriam quebrado o acordo e atacado o Iran. Netanyahu teria atendido à chamada por vídeo em seu computador, de pijamas, cara de sono e cabelos bagunçados, sem entender do que se tratava. Ataque? Onde? O Iran atacou de novo? Mas ninguém me avisou nada… Ah, o Iran é que foi atacado? Tem certeza? Vou ligar a TV nos canais iranianos, se houver alguma notícia, ligo de volta, Lloyd. Aliás, por que você não pergunta aos iranianos? Se houve algum ataque, certamente eles lhe dirão…

Bom, é o que dizem.


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