É Natal! (Não, não é…)

É Natal! (Não, não é…)

Imagino que você, leitor de colunas que tratam de história, de fatos, de dados concretos, prefira chegar à verdade das coisas a acreditar em mentiras.

E é por isso que vou provar algo que pode surpreendê-lo: Jesus não tem nada a ver com o Natal. Aliás, a Bíblia sequer contém a palavra “Natal”. Nem há ordem nela de que se celebre o nascimento do Messias.

A data correta

Jesus não nasceu no 25 de dezembro. Quem afirma isso? A Bíblia.

No evangelho de Lucas, narra-se a gravidez de Míriam. (Nome correto da mãe do Messias, não Maria, nome resultante de uma transliteração errada do hebraico pelos romanos.) Vamos, por enquanto, chamá-la de Maria, para evitar confusões.

Maria achou-se grávida e foi imediatamente visitar sua prima Isabel (o nome correto é Elisabet, ou em hebraico, Elishebat). Isabel estava no sexto mês de gravidez de João, o Batista, primo de Jesus. Zacarias, marido de Isabel, estava cumprindo suas funções sacerdotais no templo, quando recebeu de um anjo a notícia de que sua mulher ficaria grávida. Zacarias era descendente de Abias. O primeiro livro de Crônicas, no capítulo 24, nos conta que os levitas foram divididos em 24 turmas para servir no templo. A família de Abias era a oitava turma, que servia na segunda quinzena do quarto mês do ano. Portanto, quando Maria visitou Isabel, era o décimo mês do ano. (Isabel engravidou no quarto mês, já estava com seis meses de gravidez.)
Começa a contar então o período de nove meses para Maria, que, portanto, termina no sétimo mês do ano seguinte. O ano judaico começa em meados de setembro, portanto o sétimo mês judaico equivale ao mês de abril. Sim, Jesus nasceu na segunda quinzena do mês de abril.

Coerência divina – mais provas

João Batista vê Jesus chegando ao rio Jordão e exclama: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”

Se Jesus é o cordeiro de Deus, analisemos Jesus como o cordeiro sacrificado pelas famílias judias na Páscoa, a única festa em que se ordena o consumo de um cordeiro. Veja esta série de congruências:

1. Jesus nasceu em Belém, a cidade na qual havia os criadores especialistas em produzir cordeiros sem defeito para o sacrifício no templo. Não poderia haver outro local mais coerente. (O profeta Isaías já tinha dito que seria este o local, 660 anos antes.)
2. Lucas narra que os pastores estavam no campo com as ovelhas. Isso não poderia acontecer em dezembro, mês de frio e neve, mas em fins de março, começo de abril, primavera, época em que as ovelhas são novamente soltas no pasto para dar à luz os seus filhotes.
3. O cordeiro da páscoa deveria ser um cordeiro sem defeitos de um ano de idade, ou seja, o cordeiro deveria ter nascido na páscoa anterior. É coerente então que o Cordeiro de Deus tenha nascido na Páscoa, que acontece em meados de Abril.

Outro fato interessante é que Jesus nasceu nos dias de Herodes, que morreu no ano 4 antes de da Era Cristã. Antes de morrer, ele ordenou o massacre das crianças entre zero e dois anos de idade, na intenção de eliminar o Messias. Isso coloca o nascimento de Jesus entre 6 e 4 “antes de Cristo”, mais provavelmente no 6.

Tudo isso foi trocado pelo dia 25 de dezembro, dia da Saturnália, festa pagã semelhante ao nosso Carnaval, cheia de álcool e orgias. Festejava-se também, no dia 25, o natalis invicti, o renascimento do invencível, no dia em que o sol voltava a aumentar o seu período de permanência no céu, (solstício de inverno). Era uma reminiscência do Mitraísmo babilônico, culto de adoração ao Sol. No dia 25, O imperador romano Teodósio instituiu o Natal como celebração do nascimento de Cristo, para que, de uma forma disfarçada, os mitraístas pudessem continuar com a sua tradição, mesmo sendo o cristianismo a religião oficial do estado. A tradição da árvore e dos presentes vem do mitraísmo, pesquise.

O bom velhinho

No século IV, um velho chamado Nicolau vagava pela Europa central dando presentes às criancinhas, sem mais nem menos. Estranho? Também acho. Se, hoje, alguém sem endereço fixo abordasse seu filho, oferecendo um brinquedo, você desconfiaria. Eu também. Ainda assim, o velho morreu em dezembro e foi chamado de São Nicolaus. Ou San Niclaus. Ou Santa Claus. Sua imagem era de um homem magro, quase um duende, de roupas marrons e verdes.

Séculos depois, revolução industrial, sociedade de consumo. Qualquer motivo para levar as pessoas às lojas é bem-vindo. Então, algum brilhante executivo da Coca-Cola, em 1931, resolveu modernizar o velho Nicolau, colocando-o gordinho, risonho, de roupas vermelhas chamativas e voando pelos céus em um trenó cheio de presentes comprados pelos milhões de pais e mães americanos. Sucesso absoluto.

Desde então, temos, todo ano, na noite de 24 de dezembro, na madrugada do 25 de dezembro, caminhões da Coca-Cola, fortemente iluminados e decorados, rodando pelas capitais do mundo ocidental, enquanto os hospitais se lotam de pessoas em coma alcoólico, vítimas de acidentes de trânsito, bem como algumas vítimas extras de tiros e facadas, cujo número também sobe nesta ocasião. Pouca gente relaciona a data ao Messias. Ainda menos pessoas agem de forma coerente com o que dizem ser o motivo da festa. Falam em Cristo, comemoram a Saturnália.

Você, leitor, avesso às narrativas montadas, aos dados inventados por políticos corruptos, cansado das mentiras que prosperam impulsionadas por uma mídia vendida, vai preferir a mentira? Vai falar de Papai Noel ao seu filho? Vai fingir que o dia 25 de dezembro tem alguma relação com Jesus, o Messias?

Que tal começar a contar para ele a origem das coisas, a verdade esmagada sob a propaganda, e agir com coerência?

Por ser judeu, não comemoro o Natal. Por ser um cristão apegado às Escrituras, não comemoro o Natal. Por achar que a origem das coisas faz, sim, diferença, não comemoro o Natal.

Se ainda assim, depois de tudo o que lhe foi exposto, você ainda quiser comemorar, não o julgo. Mas, por favor, faça-o com consciência e coerência. Mencione o nome dEle na mesa. Leia o relato do seu nascimento no livro de Lucas. Deixe de lado aquela ala da sua família que consome álcool em quantidades incompatíveis com as Escrituras sagradas, enquanto cantam músicas do moderno cancioneiro do Brasil – Funk e congêneres – em geral, odes ao adultério e à promiscuidade.

Mas se você insistir em comemorar o Natal como a maioria, atenção: você perde o direito de criticar nossos políticos por falarem uma coisa e praticarem outra completamente oposta.

Boas festas!


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