Empreendedorismo de Trincheira

Empreendedorismo de Trincheira

Ouça este conteúdo:


Muito se tem falado e escrito sobre empreendedorismo, recentemente. E é natural que o assunto esteja em destaque: segundo pesquisa recente realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), patrocinada pelo SEBRAE e publicada em seu
site, cerca de 4 em cada 10 brasileiros possuem atividade empresarial formalizada. Isso significa mais de 50 milhões de pessoas envolvidas na criação ou manutenção de algum negócio. Ainda de acordo com outro estudo, publicado pela Agência Brasil – EBC, em seu site, em maio de 2023, 60% dos brasileiros têm o desejo de abrir um negócio e trabalhar por conta própria.

Nas últimas duas décadas, temos observado o crescimento do interesse das entidades diretamente ligadas ao fomento da atividade empresarial no preparo, qualificação e apoio aos novos empresários. Órgãos do governo nas três esferas, instituições financeiras que administram linhas de crédito e verbas de fomento, entidades de classe, todos vêm se empenhando para viabilizar o crescimento da atividade. Diversas Universidades Federais desenvolvem programas de incentivo ao setor, inclusive oferecendo “incubadoras” de negócios criados pelos alunos, com o objetivo de auxiliar esses projetos nas fases iniciais, em busca das condições necessárias para a sobrevivência no mercado.

Entretanto, devemos reconhecer que os desafios não param por aí – ou seja, não basta o estímulo inicial. 

Atualmente, encontramos no mercado uma gama de empreendimentos que nasceram nesse ambiente de estímulo ao empreendedorismo, que superaram os primeiros anos, onde a mortalidade atinge a grande maioria, e que estão prontos para aprimorarem sua estratégia, em busca do crescimento. E essa nova etapa, com seus desafios, exige dos empresários o desenvolvimento de novas habilidades e ferramentas adequadas.

Resolvidos os problemas iniciais, relacionados ao desenvolvimento dos produtos, à busca de recursos financeiros para criação do negócio e à estruturação das vendas, surge a necessidade de análise estratégica e tomada de decisões, com base nas informações já geradas pela empresa – especialmente as informações financeiras.

Chegamos aqui a um ponto de extrema importância: da mesma maneira que o empreendedor não precisa, obrigatoriamente, se tornar um expert em marketing, ou contabilidade, ou direito – embora tenha que desenvolver bom conhecimento nessas áreas – também não tem a obrigação de ser um exímio gestor, no momento em que inicia o seu negócio. Mas, igualmente, deve aprimorar suas habilidades nesse campo, continuadamente.

Em minha experiência de relacionamento profissional com pequenos e médios empresários, em raras ocasiões me deparei com ótimos gestores à frente dos novos negócios. Isso decorre do fato de que não é o desejo de administrar que motiva as pessoas a abrirem uma empresa. É, antes, a vontade de produzir e vender aquilo que sabem fazer e dessa forma poder gerar lucro. 

Exatamente por isso, a natureza do perfil predominantemente empreendedor é diferente do perfil do gestor. Enquanto o primeiro se realiza ao ter boas ideias e fazer com que as coisas aconteçam para viabilizá-las, o outro vê na análise dos números, no planejamento, na descrição, controle e melhoria dos processos, a solução para o sucesso crescente.

Portanto, para crescer de forma ordenada e sustentável, para tomar decisões acertadas e minimizar os erros, é preciso ir além do tratamento inicial dado aos negócios emergentes, onde o foco é a busca pela formalização e pelas condições iniciais de sobrevivência da empresa – basicamente, ações relacionadas à operação principal e ao comercial. 

Cumprida esta etapa, é necessário que o empresário estenda sua capacidade empreendedora também à gestão dos seus recursos, processos e, principalmente, das informações financeiras de seu negócio. Ali estão, seguramente, todos os reflexos das atividades desenvolvidas, dos erros e acertos nas decisões, da eficiência nos processos, assim como os indicadores que o levarão ao futuro bem-sucedido. Empreender é inovar, criar, buscar, fazer acontecer. Gerir é o complemento vital para o sucesso duradouro. 

Na prática:

– Empreenda, inove, crie, venda. Mas jamais negligencie a gestão do seu negócio.

– Raros são os que possuem grande talento para empreender e para gerir ao mesmo tempo.  Não se culpe, não se cobre demais, identifique se o seu perfil é mais empreendedor ou mais gestor e vá desenvolvendo o que lhe falta. 

– Não deixe de acompanhar a gestão da sua empresa, principalmente sob a ótica financeira. Busque a ajuda e ferramentas adequadas.

– Tenha em mente que as atividades subsequentes à produção e venda, como a compreensão sobre os números gerados pelo financeiro, aplicação e monitoramento constante das ferramentas de gestão são igualmente importantes e demandam sua atenção.


Descubra mais sobre Conexão Libertas

Assine para receber os posts mais recentes por e-mail.

Um comentário em “Empreendedorismo de Trincheira

Deixe um comentário