Esperança renovada

Esperança renovada

Ninguém entendia o que estava acontecendo.

Roma, em sua insaciável busca de predominância e poder, sofria revezes internos ante as disputas entre os poderosos, que buscavam a expansão política espúria com o poder destrutivo de suas legiões e com as suas reiteradas articulações corruptas. Marco Antônio, o militar traidor moral que havia usurpado o poder em conluio com aqueles que haviam mortalmente esfaqueado Júlio César, até então seu maior aliado, viu-se enfraquecido pela instituição do triunvirato, que fracionou a direção romana. Isso, aliado às suas pomposas, fracassadas e promíscuas viagens em campanhas ao oriente, abriu espaço para o improvável: a ascensão do jovem Caio Júlio Cesar Otávio, o “Augusto”, o filho adotivo do imperador assassinado.

As legiões militares, antes fracionadas segundo os interesses mesquinhos dos patrícios que as sustentavam, e exaustas ante a precária condição em que eram mantidas, finalmente uniram-se diretamente ao jovem líder. Motivação alegre e harmônica invadiu os corações. Por toda parte, inclusive nos mais longínquos rincões, nobres e plebeus investiam seus maiores esforços na cultura, na arte e nas edificações maravilhosas.

O primeiro Augusto restaurou a ordem na república, reservando a si poderes de intervenção exercidos com parcimônia e sabedoria. Seus maiores conflitos eram com a própria fragilidade de saúde e com os dissabores causados por familiares íntimos: sua esposa, filha e neta, que lhe traíam a confiança pela promiscuidade cultural até então reinante. Causou-lhe grande tristeza ver-se obrigado a banir sua filha e sua neta ao isolamento pelos reiterados escândalos por elas criados na corte.

Nada obstante, sob seu magnânimo comando, as mais belas obras artísticas e arquitetônicas, as leis mais sábias, as mais profícuas inteligências e a mais duradoura paz surgiam, surpreendendo o próprio Augusto, que via nas festas públicas não mais as comemorações de triunfos sangrentos, mas o sorriso do povo em meio às mais belas canções.

A incompreensível grandiosidade daquele momento, contudo, conhecido como era ou época de Augusto, não era devida a ele. A materialização da paz, do belo, da cultura e da busca pela conduta melhor era resultante da preparação da vinda do Deus-Menino, de Nosso Senhor Jesus Cristo, cujas multidões angélicas operosas preparavam a ambientação para que Ele iniciasse seu iluminado magistério de exemplos vivos, que prescindiu da escrita, mas contou com a tradição da família e dos amigos. Demonstrou que o maior poder não vem de conquistas transitórias e materiais, mas, sim, da capacidade de elevar a alma rumo a Deus, através das boas obras, tornando-se individualmente consciente e útil para amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Nascido numa estrebaria, teve como pais os mais amorosos e confiáveis crentes fiéis. Sua primeira cama foi um berço improvisado num cocho de dar alimento aos animais, já ensinando, desde a sua chegada, que o melhor alimento a ser dado à animalidade interior que vige em nós é o amor, do qual Ele foi e é o Mensageiro Maior. Desde o plantio daquela semente, o clima de transformação para o bem jamais cessaria, embora fosse posteriormente obscurecido pelas ervas daninhas do ego inflamado pela vaidade e pelo orgulho, gerados pelas ilusões do poder material e transitório, que voltaram a crescer nos corações humanos após o pequeno lapso temporal em que Ele esteve entre nós.

Hoje, enquanto novamente vivenciamos na governança pública o poder dividido em lamentáveis e corruptos episódios da mesma mesquinhez e prepotência materialistas romanas, agora sob a bandeira de um falso bem, essencialmente baseado em colocar os filhos de Deus uns contra os outros, recordemos alguns dos ensinamentos de Jesus Cristo, seja quando respondeu ao questionamento de Pôncio Pilatos que o Seu Reino não era deste mundo, seja quando, no alto do monte, garantia consolação aos que choram; herança terrestre aos mansos; glória celeste aos fiéis injuriados e perseguidos pela mentira e pelo mal; filiação Divina aos pacificadores e o próprio reino dos céus aos perseguidos pela justiça.

Não percamos tempo com lamentações, revolta ou desesperança. Tampouco nos ocupemos com estratégias assemelhadas às do mal.

Nova era de Augusto se aproxima, mas, dessa vez, as transformações se darão nas mentes e nos corações, que perceberão mais claramente a diferença entre o joio e o trigo, lançando ao fogo o primeiro cuja fingida aparência não condiz com sua produção. E para que tal percepção seja possível, é necessário que os já despertos arregacem as mangas, exemplificando com boas obras e instruindo com boas palavras aqueles irmãos que desejam o bem e a paz, embora ainda hipnotizados pela crença no bezerro de ouro.

Por isso, irmãos, Feliz Natal! Que renovemos em Jesus-Menino a alegria de viver e de nos esforçarmos para a prevalência do bem! Que 2024 seja um ano que nos surpreenda positivamente pelo despertar dos ainda iludidos!


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