Israel armou o Hamas?

Israel armou o Hamas?

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Sim, eu sei que essa pergunta não faz sentido. Mas ela não vem de boatos, vem de fatos.

Especialistas israelenses estão examinando os restos de foguetes lançados pelo Hamas. O intento é descobrir de onde vem os explosivos que o Hamas utiliza e cortar o mal pela raiz. A surpresa foi achar uma quantidade razoável de material usado em bombas americanas para lançamento por aeronaves. Também foi achado material originário de granadas de artilharia.

Não é exatamente uma surpresa. Não há como testar uma bomba antes de usá-la. A indústria testa as primeiras vinte ou trinta unidades, depois prossegue por amostragem. Em geral, uma a cada 150 bombas é entregue à Força Aérea Americana para exercícios com munição real. Ótima oportunidade para testar a munição e adestrar pilotos em uso real, bem como para avaliar a sua eficácia contra diversos tipos de alvos. Com uma testagem tão baixa – 1 em 150 – não há como atingir um pleno controle de qualidade.

Um exemplo clássico disso foi o caso do primeiro míssil ar-ar da União Soviética.
1958. Os americanos tinham acabado de lançar o primeiro míssil capaz de manobrar e seguir o avião inimigo, o Sidewinder. Levaram os 40 primeiros mísseis às pressas para Taiwan, que estava sendo seguidamente atacada por hordas de Mig-17 chineses. Os caças americanos F86 Sabre receberam rapidamente as peças de transporte e ignição da nova arma e partiram para o combate. Um sucesso. Os Migs foram massacrados, mesmo com os pilotos americanos ainda pouco acostumados ao seu uso. Mais despreparados ainda estavam os pilotos chineses e soviéticos, que não tinham a menor idéia de como escapar do Sidewinder.

Tamanha vantagem não poderia ser cedida ao inimigo. As fábricas, escritórios de projeto, caminhões de transporte, galpões de estocagem, eram pesadamente vigiados. A CIA e o FBI escrutinavam detalhes íntimos de qualquer um que participasse de qualquer ponto desta cadeia, que ia da fábrica até o disparo. Dizia-se que a vigilância custava mais caro que fabricar os Sidewinder.
Até que um dia, veio para o pouso um Mig17 chinês, meio torto, oscilante. Dele, desce um piloto apavorado. Cravado na sua fuselagem, próximo à cauda, está um míssil Sidewinder não detonado.

Os chineses o entregaram rapidamente aos russos, que fizeram a engenharia reversa e deram ao mundo comunista o Atoll – versão russa do Sidewinder.

Moral da história: cerca de 15% das granadas de artilharia não detonam, bem como 10% das bombas lançadas por aviões e 10% dos mísseis. Os terroristas do Hamas, sem pressa e sem nenhum apego à vida, desmontam estes artefatos não detonados e usam seus explosivos para rechear os foguetes que lançam em Israel.

Mas o que realmente causou frenesi na imprensa israelense foram as imagens de fuzis israelenses encontrados nos túneis de Gaza. Sem poeira, sem marcas de uso recente. Não são, portanto, armas capturadas de soldados mortos. Até porque as unidades de combate israelenses têm extremo cuidado em não deixar os corpos de seus compatriotas caídos em combate nas mãos do Hamas – que dirá seus armamentos.

Os teóricos da conspiração abrigados na oposição ao governo Netanyahu, imediatamente, chamaram de botas as ferraduras do cavalo. Disseram que as imagens comprovavam que o governo tinha auxiliado e permitido o ataque de sete de outubro. A prova seria a imagem de armas israelenses novinhas nas mãos do Hamas.

Não é preciso ir muito longe para desfazer esta fantasia.

Primeiro, o Hamas não dispõe de munições 5.56 ou 7.62 OTAN, que são os calibres usados pelo exército de Israel. O Hamas tem grandes estoques do 7,62 russo, de tamanho incompatível com os fuzis israelenses.

Segundo, Israel dispõe de um bom estoque de fuzis AK-47, os mesmos usados pelo Hamas. Foram capturados aos milhares na guerra dos Seis Dias e na guerra do Yom Kipur. Seria muito mais lógico entregar fuzis idênticos aos que o Hamas já usa, sem levantar suspeitas e utilizando a farta munição de que os terroristas já dispunham.

Como explicar, então, estes fuzis nos túneis do Hamas?

Fuzis israelenses são um cobiçado troféu para o Hamas. Significa que o terrorista teve coragem suficiente para atacar um soldado israelense e teve êxito. Portar um fuzil capturado é a maior evidência de status possível para um terrorista palestino. Sabendo disso, o Mossad teria subornado alguns terroristas com fuzis israelenses e alguma munição, em troca de informações. Estas informações tinham o potencial de serem de valor crescente, visto que o portador do fuzil certamente subiria na hierarquia do Hamas. Ganharia respeito, presentes, privilégios, dinheiro.

Outro destino para esses fuzis é a casa ou o túnel de algum chefão do Hamas. Os chefes ficariam ansiosos para ver o fuzil capturado e conhecer o herói. Talvez o fuzil fosse ofertado a algum desses chefes em troca de promoção ou privilégios. Um localizador, dentro da coronha do fuzil, apontaria o endereço ou local exato dos chefões ao satélite da inteligência israelense.

Talvez alguém da oposição israelense reclame da falta de confirmação oficial dessa explicação, classificando-a como mera fantasia pró-governo. A outra teoria, a do patrocínio israelense ao sete de outubro, também não tem confirmação. Mas a teoria do fuzil grampeado é a única que tem uma lógica. E, convenhamos, é a cara do Mossad.


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