Luis, Luiz e Luiz

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Luis StuhlbergerLuis Stuhlberger é um dos grandes nomes do investimento no Brasil. Nunca foi premiado pelos maiores rendimentos históricos, mas os fundos Verde, geridos por ele, são famosos por terem as menores perdas – ou até algum ganho – quando todos os outros estão afundando. O risco sempre ancorado na prudência, sempre de olho na estrada à frente, mais especificamente nos buracos que surgem no asfalto.

Recentemente, em meio à enxurrada de críticas dos opositores à política econômica atual, Stuhlberger destoou do coro dos descontentes para declarar-se esperançoso com a economia brasileira, pelo menos a curto prazo.  Ele projeta um crescimento do PIB acima de 2%, puxado pelo agronegócio, pela pressão do governo para a redução da taxa SELIC e pelas reformas estruturais implementadas desde o governo Temer, que agora estariam maturando. Os gastos excessivos do governo podem ser cobertos pelas reservas cambiais, hoje bem robustas. Prevê também uma “acelerada” na bolsa, pela volta do investidor estrangeiro, meramente por falta de opções lá fora  – bolsa americana muito cara e bolsas da Europa amargando os efeitos da guerra na Ucrânia.

BarsiLuiz Barsi pensa o oposto. Veterano de 60 anos de investimentos, é hoje, aos 85 anos de idade, o maior investidor individual da bolsa brasileira, com 4 bilhões de reais investidos. Viu de perto todas as grandes crises do pós-guerra, governos de todas as matizes e ministros da fazenda de todas as teorias econômicas. Luiz Barsi afirma que a quebra do Brasil é inevitável. Ele não acredita na bonança a curto prazo defendida por Stuhlberger, mas, se acontecer, será curta. O governo atual deve 6,5 trilhões de reais e, mesmo assim, gasta 240 bilhões a mais do que arrecada por ano. Não consegue pagar as despesas básicas das universidades federais, mas anuncia mais concursos públicos. Libera 53 bilhões em emendas parlamentares e quase dobra o gasto com propaganda – mais de 600 milhões de reais. A SELIC está acima de 10%, encarecendo perigosamente a dívida pública, mas, mesmo assim, a inflação aumenta. Baixando os juros, como quer o governo, a inflação tem boa chance de sair do controle. Luiz Barsi já tem seus planos para mover seu dinheiro para ações mais defensivas, renda fixa e até para outras moedas.

Luiz Inácio é um sujeito que não aprende. Gastou desmesuradamente, fiando-se na grande onda das comodities, até que a onda passou e não havia mais dinheiro para sustentar todos os novos gastos instituídos. A conta veio na crise de 2008. Mas ele quer, agora, repetir a mesma gastança. Com a diferença que, desta vez, não há onda de entrada de dinheiro para sustentar os gastos – despesas penduradas no nada. A crise, chamada por ele, na época, de “marolinha”, já foi esquecida, visto que Luiz Inácio repete o erro, desta vez em condições muito piores. Claro que há quem grite, quem avise. Mas Luiz Inácio tem coisas mais importantes a tratar. É preciso defender a invasão à Ucrânia e o ataque terrorista do Hamas. Tornar inelegível quem pode desafiá-lo na próxima eleição. Prender pessoas que o criticam nas redes sociais. Liberar o consumo de drogas e os pequenos roubos. Colocar alguém de sua confiança à frente do IBGE para que índices de desemprego e de inflação diminuam de um jeito ou de outro.

Escolha um dos três “Luízes” para apostar suas fichas. Os otimistas apostarão no primeiro. Os mais prudentes ou mais apavorados apostarão no segundo. Os que combatem  o racismo, a desigualdade social e a LGBTfobia, os que apóiam os movimentos indígenas, sem-terra e sem-teto, a desmilitarização das polícias e descriminalização das drogas e do aborto, já apostaram no terceiro. Assim como o Luiz que escolheram, eles se recusam a falar de economia e contas públicas. Crêem firmemente na promessa do seu líder, de que o feijão surgirá do nada, magicamente, nos pratos de todos, para sempre. 


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