“O Cara” não existe mais

“O Cara” não existe mais

Em 2009, um sujeito, que à época era o presidente do Brasil, foi saudado por Barack Obama como “O cara”. Essa exaltação ocorreu na 3ª reunião do G-20, nos EUA, grupo dos 20 países mais ricos do globo terrestre.

Naquele momento, o Brasil estava em vantagem no cenário mundial, já que vinha surfando em sua boa fase econômica, enquanto os países ricos ainda sentiam a crise econômica do ano anterior. Agora, em 2023, o protagonismo não é mais do “Cara”, mas, sim, da guerra na Ucrânia. De um lado do grupo estão os países em apoio à Ucrânia e, de outro, a Rússia e a China, sendo que essa última se absteve na ONU de condenar a invasão russa àquele país. Coincidentemente Rússia e China não participaram desta vez- seus líderes não compareceram.

Recentemente, alguns países do G-20 estiveram reunidos no BRICS, e esse encontro deixou o sentimento de que a China foi beneficiada com a inclusão no bloco, de países de interesse dessa potência mas que não agradou tanto ao Brasil.

De qualquer forma, “o Cara” não é mais “o Cara”. Foi denunciado, exposto no mar de lama em que se encontrava junto com colegas de partido e acusado de desvios de muito dinheiro e de envolvimentos escusos com empreiteiros. Sua sucessora fez um governo medíocre e foi impichada (se é que essa palavra existe) e, “para fechar”, ele teve uma eleição escandalosamente controversa.

No último dia 07 de setembro, durante o desfile na Capital Federal, o semblante do “Cara” foi de decepção por não ter mais a popularidade de outrora, pois não tinha povo na rua. Pela expressão de desapontamento ele sentiu que está fraco e que pode vir a ficar isolado. A água bateu onde se entende a aproximação do risco – e ele sabe disso.

Há pouco o que se esperar do relatório do G-20 : a reunião servirá para conversas de corredor, alinhamentos entre poucos e pequenos acordos isolados. A falácia da mudança climática e a necessidade de combustíveis renováveis dominarão os discursos, mas sem muita eficácia.

E “o Cara”? Bom, ele poderá ter seus holofotes na próxima reunião do grupo, em 2024, no Brasil. Nosso país presidirá o bloco entre dezembro de 2023 e novembro de 2024 e, como regra, também sediará a próxima reunião, que ocorrerá no Rio de Janeiro. Até lá há muita coisa por acontecer e para “o Cara” vivenciar, em um governo que mostra ares de desgovernado e já dá sinal de cansaço. No ano que vem, na próxima cúpula, ele poderá ser novamente “o Cara” ou um mero coadjuvante no cenário econômico mundial e, quem sabe, a 1ª dama receberá as luzes e flashes, já que para ela o encontro atual foi com 29 países, o G-29. Talvez um erro de digitação, mas a desatenção ao publicar sem uma revisão foi nítida. Enganos ocorrem, claro, e, quem sabe, Obama tenha se enganado em 2009 quando cunhou o apelido do “Cara”.

Há muitos enganos em um mundo tão enganado.

Imagem: O pensador


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