O povo está vendo, de nada adianta o contorcionismo

O povo está vendo, de nada adianta o contorcionismo

Não sou conhecedor ou operador do Direito, meu conhecimento se baseia no que julgo como certo ou errado e nos ensinamentos acerca de julgamentos pessoais e racionais, recebidos da minha mãe, dos avós e tios, dos professores e ao longo da vida daqueles que tinham algo a contribuir sobre isso.

Na minha mente – de novo, ignorante sobre o Direito – o que ocorreu no plenário do tribunal, agora tão conhecido dos brasileiros, proferido pelos “Excelentíssimos”, não pode estar em conformidade com a Constituição Federal ou com algum ordenamento jurídico.

Como explicar aos meus filhos e a colegas que um narcotraficante foi solto por esse mesmo plenário e que os cidadãos que se exaltaram em uma manifestação estarão na cadeia por 17 anos? 

Como explicar aos meus filhos e a colegas que um narcotraficante, o foragido André do Rap, foi solto por esse mesmo plenário e que cidadãos que se exaltaram em uma manifestação estarão na cadeia por 17 anos? Sobre isso existe a dicotomia acerca do que é legal e do que é moral, por isso a dificuldade no entendimento de que a lei vale para uns, mas é dificultada para outros, afinal não houve habeas corpus para todos os que estavam detidos na “Colméia”. Como explicar 1ª, 2ª e diversas instâncias até chegar nesse plenário? Como explicar que em 2017 diversos manifestantes depredaram edifícios do governo federal em Brasília e ninguém recebeu condenação por isso? Como explicar que “descondenaram” um bandido – do maior escândalo de corrupção do país – que recebeu a mesma sentença nas diversas instâncias e condenam o indivíduo manifestante a tantos anos encarcerado? A conclusão a que se pode chegar é que o problema não foi o crime praticado, mas, sim, quem o praticou, já que existem pesos e medidas muito diferentes para aqueles que deveriam lançar mão da balança e da cegueira da Justiça. 

A repercussão para os togados não foi boa e creio que não esperavam que reverberassem, nas mídias, as falas e acontecimentos do plenário. Causou aos “Excelentíssimos” um certo desconforto as falas de Sebastião Coelho, desembargador aposentado, e de Larissa Araújo, ambos advogados de réus no processo. Os togados escolheram um caminho que enfraquece a confiança no judiciário e na instituição – e em todo o sistema jurídico, já que a OAB aplaudiu as decisões dos ministros – e planta a dúvida se o que está ocorrendo por lá é um julgamento, através dos fundamentos da Justiça e do Direito, ou uma vingança. 

São muitas manobras, artifícios e malabarismos para inserir em um contexto de justiça o que não tem conotação de tão grave crime. Até parecem as falas de Miriam Leitão e seus colegas tentando passar pano para o governo desgovernado. Ela tentando dizer que a inflação subiu, mas que isso é bom, arremete aos “Excelentíssimos” tentando buscar nos artigos da Constituição ou na jurisprudência para justificar as decisões descabidas e desproporcionais. 

As coisas andam “diferentes”: jornalistas cassados e desmonetizados, congressistas presos por emitirem opiniões, juízes e desembargadores sendo compulsoriamente aposentados, e até oficiais das Forças Armadas presos por mandado de tribunal civil. Não entendo muito tais assuntos, mas sei, inconscientemente, o que é certo e o que é errado, aprendi nestes anos de vida. O que está acontecendo foge ao razoável e o povo está vendo, pacífico, mas está vendo.

Imagem de master1305 no Freepik


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