O tempo do despertar

O tempo do despertar

Você não saberá definir como, quando ou porque acontecerá. Mas é inevitável acontecer.

Um sentimento profundo de descompasso, de incoerência, de ausência de sentido, de infelicidade.

Pela televisão, mídia e internet são apresentados, conjuntamente, valores claramente opostos como se andassem em igual direção.

Na primeira análise o cérebro não identifica nada incomum, mas o coração diverge! Será que perdi o compasso do bem? O mundo progrediu em valores considerados mais puros e corretos e me perdi em meio a referências ultrapassadas? Haveria, mesmo, diversas verdades, a ponto de a verdade real não existir? Aquilo que apresentam como o amor e o bem realmente felicitam?

Olhamos à nossa volta. Vemos jovens e adultos saudáveis, ricos em possibilidades, mas lastimosos e vitimizados por circunstâncias que, há pouco tempo, seriam consideradas secundárias, de menor importância. Os próprios idosos, os avós de hoje, mostram-se excessivamente infantilizados se comparados aos seus próprios pais: homens e mulheres “rocha”, que criavam muito (e muitos) com o pouco. Hoje é o inverso…

A nação brasileira, forjada na mistura sanguínea e cultural mais rica da Terra, outrora repleta de heróis, que possui características físicas e morais exemplares a todas as nações, atualmente importa, sem qualquer reflexão, causas e movimentos europeus que, se ponderados sob a ótica dos fatos, seriam prontamente descartados em nossas terras, considerando as conquistas de humanidade do povo mais acolhedor, tolerante e miscigenado do orbe.

É a tal luta de classes do velho mundo que, fracassada desde a implantação no leste europeu, dada a ausência de sustentação do proletariado que a deveria promover, ganhava novos ares requentados através do fracionamento caótico das pessoas em grupos vitimistas de ocasião, postos uns contra os outros.

Isso não pode estar certo! Que tipo de progresso tão aclamado é esse que torna as pessoas piores, odientas e infelizes ao longo do tempo?

A fraternidade que unia e fortalecia deu lugar à divisão e ao enfraquecimento. O progresso real, advindo da consciência de cada qual sobre a sua própria forma de agir, deu lugar ao progressismo, que destrói as construções passadas, sobretudo as mais valorosas, a pretexto de um padronizado e estranho projeto de futuro que desconsidera a liberdade e as características individuais. O esquecimento da história reviveu o maniqueísmo, que é a eficiente doutrina usada pelos generais romanos para dividir e conquistar os povos, impondo uma nova cultura dominadora e subtraindo-lhes os recursos gerados pelo trabalho. A ordem natural e verdadeira do plantio e da colheita foi subvertida: os que não plantaram querem colher, e os que plantaram, sob a ilusão de que teriam se tornado devedores daqueles, cedem os grãos de seus próprios esforços, crendo, contudo, que não são prejudicados apenas porque eles foram armazenados em silos coletivos, tornando-os coletivos.

Ante tudo isso, percebemos que nossos olhos, aos poucos, começaram a se abrir. A sensação, contudo, permanece desagradável. De tanto nos falarem de fragilidade e nos desmerecerem como alguém, como indivíduo, os primeiros sentimentos são de indignação, perplexidade e de solidão.

Desacostumados da palavra séria e útil, da opinião sincera, da permuta de impressões reais, buscamos refúgio na coletividade: saímos às ruas vestindo as cores de nosso país e encontramos outros passando por igual momento. Cada qual se expressava de um modo. Uns lançavam gritos de reprovação quanto a atitudes de poderosos. Outros distribuíam panfletos com orações. Alguns defendiam posturas contraditoriamente revolucionárias. Vários políticos, ou aspirantes a tal, uns probos, outros apenas oportunistas, acotovelavam-se para subir nos carros de som, alugados às pressas com recursos de “vaquinhas”, para expor o que estava evidente: a tentativa de homicídio dos direitos individuais pela imposição de uma estranha e triste ordem coletiva.

Essa ação orgânica e emocional pegou o sistema de surpresa. Imensos icebergs surgiram à frente do navio que, de tanto navegar em águas calmas e sem obstáculos, desacostumou-se das manobras.

Mas isso não durou muito tempo. As manobras vieram.

Qualquer indivíduo que ousasse expor publicamente suas percepções divergentes do coletivo “politicamente correto” passou a ganhar apelidos tenebrosos. Os poucos representantes do jornalismo que corajosamente apresentaram as incoerências, valendo-se da liberdade da internet, foram igualmente apelidados, presos ou exilados e financeiramente empobrecidos. Até humoristas encontraram o exílio ou a prisão, e lá continuam, por mostrarem o ridículo da realidade.

Uma a uma, aquelas que eram rotuladas apenas como “teorias da conspiração”, se concretizaram em plenitude, a ponto de vermos todas as instituições-base da república totalmente dominadas por pequeno, mas ousado, grupo. Legisladores acovardados entregaram a cabeça de seus pares, em bandeja de prata, pelo “crime” de fazer o que são eleitos e pagos para fazer: falar. O fizeram para esquivarem-se de perseguições judiciais por meio de processos vigentes, cautelosamente guardados em gavetas à espera, ou não, da chamada prescrição. O próprio Poder Executivo, cuja liderança foi surpreendentemente entregue a um desses inesperados icebergs, foi anulado por bombardeio nunca antes visto, feito pelo consórcio de todos aqueles que lucravam facilmente, recebendo porções generosas distribuídas – a rodo – por aqueles que não plantaram. Nada obstante, mesmo lidando com o pior cenário econômico e social da modernidade, dada a pandemia, e tendo herdado economia em recessão, devolveu a casa nacional em condições objetivas notavelmente favoráveis. Não teve seus lauréis reconhecidos, dada a avassaladora máquina de propaganda empregada, que elevava à condição de fato relevante algo que, em poucos dias, se revelava apenas maledicência midiática.

A culminância se deu quando, justamente duvidosos quanto à própria transparência e lisura do sagrado direito de votar, os despertos, descrentes dos principais dos três poderes, e desiludidos do “quarto poder”, foram à última instância de socorro daqueles que se auto intitulavam braço forte e mão amiga, última salvaguarda ainda crível dos valores reais: Deus, pátria, família, indivíduo, liberdade, sociedade. Dias de sol, chuva e frio foram enfrentados por pessoas comuns, sobretudo idosos e mulheres, que acampados precariamente em frente aos quartéis com recursos próprios, revezando-se na permanência e nas horas livres, clamavam apenas uma coisa: “salvem o Brasil”. Era bem simples: bastava usar o poder do convite fiscalizatório que lhe foi feito e aferir, com lisura, força, seriedade e presteza a seriedade do pleito eleitoral.

Mas era tudo armadilha. Os despertos mais exaltados e corajosos, enceguecidos pela busca da visibilidade do movimento, compareceram ao local em que os piores crimes costumam ser praticados no dia-a-dia – a Praça dos Três Poderes. Lá entraram nas casas que também eram deles, já que república quer dizer “coisa pública”, mas a arapuca, conduzida por alguns poucos caiu. E o estrondo foi tamanho que até aqueles que de lá distavam em cerca de oito quilômetros, foram igualmente aprisionados justamente pelos que, dias antes, recebiam flores de velhinhos e crianças.

O cinismo e a covardia dos braços fortes, mal dissimulada no pretexto da legalidade que abona a ilegalidade e a imoralidade, usou a mão, antes amiga, para desferir um tapa gigante que atordoou até a si própria, doendo a mão, mas não o cérebro ou peito de quem mandou bater.

Após todo conflito vêm a necessidade de reunir, consolidar e inventariar para preparar e agir.  Após o choque de realidade, os despertos ergueram os olhos e perceberam que, na verdade, o fenômeno vigente não é apenas nacional, mas global e multifacetado, necessitando maior compreensão, diálogo e propostas. As armas continuam as mesmas: a verdade, o bem e a coragem.

Esse é o objetivo do “Conexão Libertas”: proporcionar aos seus integrantes a ampliação da ótica e da informação sobre diversos cenários da modernidade, permitindo o diálogo e a prática de ações coerentes com os valores de felicidade desejáveis ao indivíduo e à sociedade. Não tem a pretensão da verdade, mas o compromisso com a busca dela, razão pela qual a conexão de liberdade buscada se reflete nas opiniões sempre consideradas como teses passíveis de contestação, mas nunca de desprezo.

Junte-se a nós e contribua, igualmente, com essa construção fraterna.

É tempo de despertar!


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