Pedagogia do opressor

Pedagogia do opressor

(Aos mestres com carinho: uma visão ORGULHOSAMENTE NÃO PEDAGÓGICA sobre o tema)

Não sou um especialista em educação, estou realmente longe disso. Mas convivo com alguns: ótimos, bons, médios, ruins, péssimos e “não classificáveis”. Entretanto, atrevo-me a falar sobre o assunto depois de refletir um pouco e vivenciar uma terrível experiência pessoal: um filho de 14 anos, por três meses chamado de “fascistinha” pelo próprio professor de História porque atreveu-se a incluir o comunismo entre os regimes autoritários criados pela humanidade. O professor, autodeclarado “antifascista” nas redes sociais, só foi denunciado porque os próprios colegas da vítima o denunciaram depois de 90 longos dias de… puro fascismo.

É FATO, comprovado por inúmeros testes internacionais, que nossa educação é das PIORES do planeta. Seja qual for o teste, o tempo e a disciplina, estaremos SEMPRE no último quadrante estatístico.

Mas como isso é possível se nossos docentes, em IMENSA MAIORIA, são fiéis discípulos do educador Paulo Freire, o fanático, ou melhor, fantástico proponente de soluções das mazelas sociais por meio de uma pedagogia “participativa, libertadora e fomentadora do pensamento crítico”? Como é possível se as ideias de Paulo Freire já vêm sendo aparentemente implantadas e disseminadas há, pelo menos, MEIO SÉCULO? Seria esse tempo ainda insuficiente para a REVOLUÇÃO educacional? Por mais complexa que pareça, ao menos para mim a resposta parece extremamente simples e pretendo humildemente registrá-la aqui (já adiantando minhas desculpas aos mestres e doutores pela simplificação do tema).
Infelizmente, só depois que me tornei pai de crianças em idade escolar é que passei a me interessar um pouco mais pelo ASSUNTO. Confesso que bate um certo arrependimento, que só não é maior porque tenho a sorte de ser casado com uma INCRÍVEL enfermeira-pedagoga que tratou de aplicar as doses corretas (sim, elas podem existir) de Paulo Freire à educação dos nossos meninos ao mesmo tempo em que soube (aqui com modesta contribuição de minha parte), como ninguém, evitar as OVERDOSES da mesma droga (cada um que dê a interpretação que quiser à palavra) quando esta é ministrada normal e perigosamente no sentido inverso: da sala de aula para casa.

Ultimamente, tenho prestado mais atenção aos extremos de tudo. Na política, faz tempo. Na educação, faz menos. Confesso que foi um ERRO GRITANTE de minha parte e, acredito, da grande maioria dos pais, o que, de forma alguma, me consola.

No atual momento de extremismos em que vivemos, eu mesmo caí muitas vezes na tentação de considerar que tudo o que Paulo Freire escreveu era ruim, baseado exclusivamente nas resenhas de formadores de opinião radicais e sem conhecer sua obra. Até que nos últimos dias resolvi me dedicar não apenas aos resumos e artigos de opinião e decidi ler INTEGRALMENTE a obra “PEDAGOGIA DO OPRIMIDO”. Quase tudo é ruim, mas não tudo. Mesmo parecendo uma versão do Manifesto do Partido Comunista, de Engels e Marx¸ aplicada à pedagogia, dá pra se tirar algum aprendizado verdadeiro.

De início, já me arrisco a AFIRMAR que Paulo Freire (PF daqui pra frente) acertou PARCIALMENTE na proposta. Errou INTEGRALMENTE no conteúdo e, sobretudo, na forma, ainda que considerado o contexto de restrição das liberdades do momento em que escreveu a obra supracitada.

A obra é interessante (arghhhh), cativa o esfarrapado, digo o proletariado, digo o leitor, em vários momentos. Em apertada síntese, já parafraseando meus amigos advogados, a obra propõe a libertação, por meio do ensino, de uma sociedade oprimida, mais precisamente por meio de uma pedagogia que fosse um poderoso instrumento de fomento ao PENSAMENTO CRÍTICO, questionador e, sobretudo, LIVRE. Certamente, PF tiraria um DEZ com louvor se parasse por aí. Uma proposição digna de um sonho de consumo.

Como eu disse antes, a (minha) crítica vem na FORMA como o autor sugere a implementação da sua proposta. Como bom marxista, PF divide o mundo educacional em duas classes: a dos PROFESSORES malvadões e opressores e a dos ALUNOS esfarrapados (ele utiliza esse termo na seção “Primeiras Palavras”), oprimidos, filhos dos proletários de Marx. Os primeiros representam a “odiosa” classe dominante, elitista e capitalista, que supostamente determina os rumos de um ensino ideológico, doutrinador e prejudicial. Os segundos são as vítimas dos primeiros. Aqui já começo a imaginar a satisfação de PF se vivo estivesse hoje, diante da nova classe docente, à qual pode ser classificada como qualquer coisa, menos capitalista.

Com essas duas ideias principais forjaram-se nossos docentes principalmente ao longo das décadas de 70, 80, 90, 2000, 2010 e ainda hoje. Todavia, como tudo no Brasil, VINGA MAIS e MELHOR aquilo com maior probabilidade de DAR ERRADO. E deu! As duas ideias centrais do livro levaram os outrora OPRIMIDOS à condição de classe dominante no meio acadêmico. Ok, mérito inquestionável dos esfarrapados. Ótimo e louvável seria SE, E SOMENTE SE, não fosse a prioridade absoluta dada à ridícula, divisionista e preconceituosa luta de classes que os docentes levaram para as salas de aula EM DETRIMENTO do pensamento crítico libertador, o qual, verdade seja dita, NUNCA FOI uma vertente do Marxismo e, por
consequência, é realmente difícil acreditar que tenha sido de PF também, por mais que seja conteúdo de suas obras.

Como não dá pra afirmar, vamos dar a PF o benefício da dúvida e pensar que jamais saberemos se, lá no fundo do seu vermelhíssimo coração, o pensamento crítico era mesmo o FIM ou se apenas o MEIO necessário até que se conseguisse a inversão das classes dominadas e dominantes, criando-se uma nova elite política e educacional AINDA MAIS OPRESSORA que a anterior, como ocorreu em absolutamente TODOS os casos onde o Marxismo se estabeleceu politica (como Cuba, Coreia do Norte, China, etc) ou, pior ainda, CULTURALMENTE (como no Brasil).
Se for o primeiro caso (o FIM), PF falhou miseravelmente. Nossos alunos mal conseguem formar um pensamento crítico sobre as bizarras letras de funk que admiram tanto, para alívio e orgulho dos docentes atuais. Se for o segundo (o MEIO), seu sucesso é inquestionável e seus pupilos ideológicos estão aí para comprovar. Representam uns 80% (ou mais) do meio escolar, da pré-escola ao “stricto sensu”.

Como tudo o que vem do Marxismo, fomos extremamente BEM SUCEDIDOS se considerarmos o objetivo de atingir os PIORES resultados. Na EDUCAÇÃO nos tornamos o que a Venezuela tornou-se na economia, o que a China tornou-se em liberdade ou o que Cuba se tornou em respeito aos direitos humanos. E tudo graças ao ASSASSINATO do pensamento crítico. Parabéns aos mestres!

De repente, da noite para o dia, tornaram-se FASCISMO pensar diferente, exercer o contraditório, questionar ou mesmo discordar de um professor “antifascista”, ser capitalista, valorizar mais o trabalho que o Estado, não ouvir o Chico Buarque, falar “denegrir”, não falar “todEs”, ter a pele clara ou até interessar-se pelo sexo oposto. Ainda que NADA SEJA MAIS FASCISTA do que perseguir (fisica ou moralmente) quem pensa diferente, parece que toda VIOLÊNCIA É ACEITÁVEL se o objetivo for a manutenção das verdades absolutas já estabelecidas pelo atual meio cultural-acadêmico brasileiro. TODA! Do “ASSÉDIO do bem” (aquele destinado a constranger os abusados e inoportunos alunos que questionam) às “fake news”, passando-se pelo velho ensinamento atribuído a Vladimir Lenin: “ACUSE-OS DO QUE VOCÊ FAZ, CHAME-OS DO QUE VOCÊ É!”. E como funcionou por aqui!

Do alto de suas arrogâncias ou de seus títulos de doutores em educação, certamente haverá quem questione: “quem é esse FASCISTA que se atreve a falar de educação ou de Paulo Freire sem sequer pertencer à área? Sem que seja um dos nossos? Sem que pertença à elite intelectual docente? Sem que seja sequer formado em História ou Pedagogia?”

De certa forma, eu agora CONCORDO com o PF. Nunca alunos foram tão oprimidos e nunca a classe docente foi tão opressora. A questão é que os opressores de hoje são justamente os oprimidos de ontem. Viraram o jogo e evidenciaram o que acontece quando o Marxismo assume o controle: seja qual for a opressão então vigente, com o Marxismo virá sempre uma outra AINDA PIOR.

Ao menos DENTRO da sala de aula, esses docentes deveriam ter a dignidade de trocar o Chico Buarque pelo Pink Floyd: “TEACHER, LEAVE THEM KIDS ALONE!”

Por Eduardo Mota
Administrador com 20 anos de experiência em diversas áreas corporativas, genealogista e escritor por hobby, autor dos livros infantis para adultos “ESSE REINO EU NÃO QUERO”, “PIXULEQUINHO E OS ANIMAIS” E “MEU VOVÔ SINDICALISTA”, todos copyleft.


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