Sobre pequenas e médias empresas

Sobre pequenas e médias empresas

Existem diversas abordagens sobre a classificação de um negócio, em relação ao seu porte. Em geral, há um consenso em todas essas vertentes, quando tratamos de grandes corporações, empresas de ampla atuação, multinacionais, negócios de grande complexidade e volume. Já nos níveis menores, observamos uma certa variação nesse enquadramento e isso está relacionado, principalmente, às modalidades de tributação em nosso país. 

A definição usual do porte das empresas tem uma forte ligação com sua faixa de faturamento, acompanhando o enquadramento fiscal e tributário, definido pela legislação. É um enquadramento que tem a sua razão de ser e que se apresenta já na formalização do negócio, mas não considera os diferentes níveis de complexidade dos processos da empresa, baseando-se, fundamentalmente, nos valores de faturamento.

Proponho uma visão alternativa, que algumas vezes poderá se sobrepor e coincidir com a definição de porte por faixas de faturamento, mas não precisará segui-la, de maneira absoluta. Para maior assertividade na gestão, considero que o tamanho das empresas está relacionado ao volume de processos internos e à complexidade estrutural de seus meios físicos, demandados pela sua atividade operacional.

Temos exemplos de indústrias de pequeno faturamento, mas com grande nível de complexidade em sua operação, estruturada em diversos departamentos, muitas vezes distantes fisicamente. Por outro lado, até no mesmo setor industrial, observamos empresas com processos mais simples, meios concentrados em um mesmo local e que possuem faturamento milionário. Importa reconhecer, na prática, o que realmente caracteriza a empresa como pequena ou grande, sob essa ótica estrutural, porque isso será determinante na escolha do perfil das pessoas, ferramentas e demais recursos que melhor atenderão aos procedimentos exigidos em cada negócio.

É extremamente necessário avaliar e reconhecer as características de cada empreendimento, para que o direcionamento a ser dado à gestão esteja adequado à sua real necessidade. Frequentemente, observo o empresário, com uma ponta de orgulho, apresentar seu negócio como uma grande empresa, acreditar nisso e buscar no mercado as soluções que foram elaboradas para grandes corporações. Nos casos em que essa avaliação do porte é superdimensionada, o que normalmente ocorre é a frustração com os resultados obtidos, o aumento da carga de trabalho interno e até mesmo a desestruturação do empreendimento. Isso porque as ferramentas destinadas a grandes negócios são criadas em um ambiente muito diverso da realidade que cerca o pequeno empresário. Exemplos claros são os softwares de gestão e os serviços tradicionais de consultoria, assuntos que abordaremos em outra ocasião.

Além da necessidade de adequação dos meios, como vimos acima, entender o tamanho da empresa, segundo os critérios aqui propostos, pode ainda oferecer maior clareza e objetividade à estratégia do gestor. Em geral, todo mundo que ver sua empresa crescer. Mas… quanto? Até que ponto? Certos modelos de negócio permitem uma expansão imensurável, global. Mesmo que seja o seu caso, lembre-se de que isso não é um caminho obrigatório. Procure identificar, em sua essência, que tipo de situação lhe trará o senso de realização, a satisfação com os seus resultados, o desejo de seguir liderando o projeto, a qualidade de vida que o cenário lhe proporcionará. 

Não sugiro que você tenha o pensamento pequeno ou limite o seu crescimento, não é nada disso. Se seu sonho é ter um empreendimento de proporções incríveis, conhecido e demandado em todo o mundo, ou mesmo fora dele, siga em frente. Considere apenas que você precisará desenvolver talentos diferentes, desempenhar tarefas muito distintas daquelas que hoje lhe dão prazer e é preciso estar muito bem resolvido com isso.

Existem casos em a própria lógica do negócio impõe um crescimento rápido, exponencial, sob pena de se tornar ultrapassado, ser substituído ou engolido pela concorrência e mesmo deixar de existir. Acontece com frequência no mercado de tecnologia e inovações e, de novo, é preciso estar preparado e consciente para decidir se esse é o caminho que você deseja trilhar. 

Demorei a desenvolver essa consciência, mas uma vez que aprendi a reconhecer o que me move, o que tenho vontade genuína de fazer, estabeleci o porte aproximado de empresa que me mantém motivado, feliz. O nível de participação ativa que os negócios demandam de mim coincide com aquilo que me realiza. Gosto de plantar a semente, mas também gosto de regar, adubar, podar assistir o crescimento diário. Após estabelecer a lógica do negócio propriamente dito e sua estratégia geral, também a criação dos processos, definição dos parâmetros de trabalho, montagem das equipes, coordenação, avaliação, aprimoramento e a direção dos projetos são atividades que hoje me realizam. É por isso que sigo atuando em negócios de pequeno e médio portes. Se um dia tiver vontade de construir uma grande corporação, afastar-me da operação diária e assumir um papel em conselho diretor, por exemplo, sei que precisarei me reprogramar pessoalmente e redimensionar, tanto os negócios, quanto a forma da minha participação neles. 

Essa é a graça da coisa: saibamos pensar sem limites, crescer livremente, mas tenhamos a sabedoria de buscar a consciência do que desejamos de verdade. Se você tem uma ou algumas lanchonetes, verifique se o seu sonho é realmente criar uma grande rede mundial de restaurantes fast food. Se a resposta for sim, se esse é o seu desejo, lembre-se de que se você é capaz de sonhar, é capaz de realizar. Sendo assim, vá em frente!  Cultive sonhos que te façam feliz e busque realizá-los.

Enfim, nosso foco aqui é a reflexão sobre o pequeno e médio empreendimento, sem nenhuma pretensão de sugerir limitações aos que desejam ser gigantes. Ter a consciência de até onde desejamos ir nos dá uma leveza agradável, equilibra nosso nível de cobrança e favorece a nossa realização profissional.

Na prática:

– Reconheça o tamanho da sua empresa pelo volume de processos envolvidos, não pelo faturamento.

– Nem sempre maior é sinônimo de melhor, reavalie constantemente o porte de negócio que deseja ter e o que de fato lhe trará realização.

– Busque as ferramentas adequadas à sua gestão e operação, com base no porte de sua empresa. Não exagere no dimensionamento e não adote soluções adaptadas.


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