Turcos, Curdos e você – tudo a ver

Turcos, Curdos e você – tudo a ver

Um menino anda lentamente por entre as prateleiras de uma unidade das Lojas Americanas, a do centro da cidade, onde será fácil sumir no meio da multidão depois do ataque. Dias antes, roubou algumas balinhas, fáceis de esconder. Levou um chute no traseiro, uma ameaça da segurança, e só. Agora ele quer algo maior. A barra de chocolate Garoto de um quilo. Fica quase no meio da loja, a fuga não será fácil. Impossível esconder aquela barra enorme debaixo da camisa. Até que, de repente, a oportunidade surge. Uma briga no caixa. A velhinha histérica agarra a vendedora pelos cabelos, o segurança tenta apartar, o outro vem em socorro, uma prateleira é derrubada com estrondo. Todos os olhos da loja – clientes, empregados, câmeras – vidrados na cena dantesca. O menino dispara pelo canto da loja, coração a 200 batimentos por minuto. Três segundos que parecem uma eternidade e… ele está na rua, livre, com o seu prêmio! Valeu a pena esperar a oportunidade.

É exatamente o que a Turquia está fazendo. Há décadas a Turquia tenta tomar o território dos Curdos. Já tomou pequenas porções, teve pequenos problemas, A ONU não dá muita bola para meia dúzia de gente perdida nas montanhas. Alguns protestos, poucas linhas na imprensa. Mas ultimamente a situação se agravou. Turismo e agro, somente, não estão diminuindo a dívida Turca, que cresce como um câncer. É preciso achar outra fonte de renda que sustente o estilo de vida europeu que Erdogan, presidente desde 2014, quer manter na Turquia. A solução está bem ao lado, no território Curdo, que nem sequer é um país. Uma região montanhosa, na tríplice fronteira entre Turquia, Síria e Iraque.  Se as montanhas curdas fossem chantilly, a xícara de café debaixo dele seria o petróleo. Uma quantidade importante de petróleo, de ótima qualidade, cujo refino é mais rápido e mais barato, portanto, de maior valor no mercado internacional.

Erdogan espera, há 10 anos, uma oportunidade de por as mãos neste petróleo, mas isto seria comprar uma briga feia com os americanos e europeus, que precisam dos curdos para combater o Estado Islâmico (ISIS). Onde há Estado Islâmico, não há Shell, Exxon, British Petroleum, etc. 

Os russos também não vão gostar nem um pouco de ver turcos no Curdistão. Com a mão no petróleo, Erdogan compraria a sua entrada na União Européia no dia seguinte, algo que ele espera há anos. E Putin precisa estrangular todas as outras fontes de petróleo e gás para a Europa. Ele precisa ser o principal, se não o único fornecedor, para manter a Rússia funcionando. 

 De repente, uma briga no caixa. O menino Erdogan percebe que os seguranças americanos, europeus, russos, estão todos de olho no conflito Israel – Hamas. O Iran, estrangulado pelas sanções econômicas, precisa urgentemente que o conflito local se torne generalizado na região, para elevar o preço do pouco petróleo que consegue vender. Por isso, o Irã armou e acionou o Hezbollah, os Houthis do Iêmen , os grupos terroristas menores da Cisjordânia, no esforço de atingir um estado de guerra. Em guerra, nem os Sauditas, amigos dos americanos, deixarão de elevar seu preço. A Europa, já sentindo os efeitos das três décadas de gastos públicos além das suas receitas, não suporta mais um aumento no preço do gás que move suas indústrias e aquece suas casas. A Europa vai pressionar os americanos para diminuírem as sanções sobre produtores de petróleo, como o Irã. 

Enquanto navios de qualquer bandeira são atacados e o canal de Suez ameaça fechar, interrompendo metade do comércio internacional, ninguém lê a notícia – pequena e sem detalhes – do ataque Turco às montanhas dos Curdos. É a chance de Erdogan pegar sua barra de chocolate e sair correndo da loja. 

O que pouca gente percebeu é que este movimento turco, pequeno se comparado a tudo mais que está acontecendo no Oriente Médio, pode ser a faísca que falta para uma enorme crise mundial que não poupará ninguém, incluindo o Brasil.

Saiba mais na continuação desta análise.


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